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Title: O serviço de Atenção Básica como o "terreiro" da casa: lugar, gênero e sexualidade nas práticas de saúde em HIV/aids em um contexto interiorano
Authors: Saraiva, Lorena Santos Dantas
Keywords: HIV/aids;Atenção básica;Sexualidade;Gênero;Práticas de saúde pública
Issue Date: 27-Jun-2019
Citation: SARAIVA, Lorena Santos Dantas. O serviço de Atenção Básica como o "terreiro" da casa: lugar, gênero e sexualidade nas práticas de saúde em HIV/aids em um contexto interiorano. 2019. 95f. Dissertação (Mestrado Profissional em Educação, Trabalho e Inovação em Medicina) - Escola Multicampi de Ciências Médicas do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2019.
Portuguese Abstract: INTRODUÇÃO: O surgimento de uma nova doença no início da década de 1980 identificada pela sigla aids (síndrome da imunodeficiência adquirida) provocou mudanças significativas em diversos campos além da saúde, principalmente por combinar comportamento sexual e doença, conferindo maior visibilidade a questões relacionadas à sexualidade, considerando a via sexual, uma das principais formas de transmissão. A disseminação da infecção pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana), causador da aids, no Brasil se manifestou como uma epidemia com múltiplas dimensões, resultante das profundas desigualdades sociais do país com transformações significativas em seu perfil epidemiológico. Dentre estas está a interiorização, com a difusão geográfica da doença dos grandes centros urbanos para os municípios do interior do país. Considerando os aspectos históricos e a experiência enquanto enfermeira de uma Unidade Básica de Saúde, no interior do sertão do Nordeste brasileiro, este estudo surgiu de inquietações sobre como as práticas de saúde relativas ao HIV/aids reproduziam, nesse serviço, a marginalização e invisibilização das pessoas que vivem com esta condição. OBJETIVO: Compreender qual o lugar do HIV/aids nas práticas de saúde no cotidiano de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no sertão nordestino. METODOLOGIA: Trata-se de uma etnografia, cujo trabalho de campo foi realizado entre julho e novembro de 2018 em uma UBS do município de Caicó/RN. Os atores envolvidos foram os profissionais que compõem as duas equipes de saúde da família desse serviço. Foram utilizadas observação participante, entrevistas individuais semiestruturadas e questionário sociodemográfico. Os dados foram analisados por meio da técnica de codificação temática. RESULTADOS: A análise apontou para a invisibilidade e apagamento social das pessoas que vivem com HIV/aids (PVHA) no território deste serviço, podendo está associado: ao preconceito; a ausência de espaços privativos entre os profissionais e estas pessoas; e à deficiência de educação permanente dos profissionais para lidar com a condição do HIV/aids. Outro resultado foi a evidência dos marcadores sociais da diferença: sexualidade, gênero e o contexto do lugar do estudo como potencializadores de questões que reforçam e configuram o preconceito e estigma local. E, por último, a dificuldade dos profissionais com o trabalho direcionado tanto para as PVHA quanto para o HIV/aids no geral, possivelmente sendo fruto de valores morais, associado à ausência de educação permanente e de um programa de saúde municipal focado nestas questões. CONCLUSÃO: A aproximação com o tema proporcionou a visualização de uma problemática importante sobre o HIV/aids, sinalizando uma fragilidade de uma unidade de saúde específica da Atenção Básica em incorporar aos seus serviços intervenções que contemplem as PVHA e as múltiplas dimensões do HIV/aids. Desenvolver a pesquisa possibilitou mudanças no meu olhar como profissional antes limitado e restrito a protocolos e manuais oficiais. O estudo torna-se combustível para o caminho da transformação profissional que ainda não alcancei em plenitude, mas que já trilho ciente de que há muito pela frente, além disso, forneceu instrumentos que me possibilita ser agente multiplicador. E, por fim, contribui para subsidiar discussões acerca do tema e do atual cenário político associado à saúde pública.
Abstract: INTRODUCTION: The emergence of a new disease in the early 1980s, identified by the acronym Aids (Acquired Immunodeficiency Syndrome), has brought about significant changes in many fields beyond health, mainly by combining sexual behavior and disease, giving greater visibility to issues related to sexuality , considering the sexual route, one of the main forms of transmission. The spread of HIV infection (the human immunodeficiency virus), the cause of AIDS, in Brazil manifested itself as an epidemic with multiple dimensions resulting from the deep social inequalities of the country with significant changes in its epidemiological profile. Among these is the internalization, with the geographical diffusion of the disease from the great urban centers to the municipalities of the interior of the country. Considering the historical aspects and the experience as a nurse of a Family Health Center, in the hinterland of the Brazilian Northeast, this study arose from concerns about how health practices related to HIV/AIDS reproduced, in this service, the marginalization and invisibility of the people living with this condition. OBJECTIVE: To understand the place of HIV/AIDS in health practices in the daily life of a Family Health Center (FHC) in the Brazilian Northeast. METHODOLOGY: This is an ethnography, whose fieldwork carried out between July and November of 2018 in a FHC of the municipality of Caicó/RN. The participants involved were the professionals that make up the two family health teams of the FHC. Participant observation, semi-structured interviews, and sociodemographic questionnaire were used. Data were analyzed using the thematic coding technique. RESULTS: The analysis pointed to the invisibility and social erasure of people living with HIV/AIDS (PLHA) in the territory of this service, being associated with: prejudice; the absence of private spaces between professionals and these people; and the continuing education of professionals to deal with the HIV/AIDS condition. Another result was the evidence of the social markers of difference: sexuality, gender, and the context of the place of study as potentiators of issues that reinforce and shape local prejudice and stigma. And, lastly, the difficulty of professionals with work directed at both PLHA and HIV/AIDS in general, possibly being the result of moral values, associated with the absence of permanent education and a municipal health program focused on these issues. CONCLUSION: The approach to the theme provided an overview of an important issue on HIV/AIDS, signaling a fragility of a Primary Care specific health unit to incorporate into its services interventions that address PLHA and the multiple dimensions of HIV/AIDS. Developing the research made possible changes in my view as a professional before limited and restricted to official protocols and manuals. The study becomes a fuel for the path of professional transformation that I have not yet fully attained, but which has already been aware that there is a long way ahead, besides, it has provided instruments that allow me to be a multiplier agent. Finally, it contributes to the discussion of the topic and the current political scenario associated with public health.
URI: https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/27866
Appears in Collections:PPGETIM - CAICÓ - Mestrado Profissional em Educação, Trabalho e Inovação em Medicina

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